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Rio de Janeiro (RJ), 02 de novembro de 2026

Chefes da polícia que comandaram megaoperação são eleitos deputados no RJ

POLITICA Polícia 30/10/2026 13:14 Patrícia Teixeira e Raoni Alves, g1 Rio g1.globo.com Rio de Janeiro RJ

Felipe Curi, ex-chefe da Polícia Civil, e outros dois policiais envolvidos na operação que matou 122 pessoas no Alemão e na Penha foram eleitos para o Legislativo, aproveitando a visibilidade gerada pela ação.

Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil e um dos principais responsáveis pelo planejamento da megaoperação que matou 122 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha, foi eleito deputado federal com 133.626 votos. Ele foi o segundo candidato mais votado nas quatro zonas eleitorais que abrangem as comunidades da região e os bairros do entorno, somando 1.763 votos apenas nessa área.

A operação, realizada em 28 de outubro de 2025, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e deixou 122 mortos. Além de Curi, outros dois policiais que atuaram na ação foram eleitos para cargos legislativos: o Coronel Menezes (PL), ex-secretário de Polícia Militar, e o delegado Bernardo Leal (PP), que perdeu uma perna durante o confronto.

  • Felipe Curi obteve 133.626 votos em todo o estado, sendo o 14º mais votado no Rio.
  • A megaoperação Contenção resultou em 122 mortes, incluindo 5 policiais.
  • Coronel Menezes foi eleito deputado estadual com 46,7 mil votos.
  • Delegado Bernardo Leal, que amputou uma perna, foi eleito com 57.254 votos.
  • Juntos, os três candidatos receberam 2.026 votos nas zonas específicas dos complexos.

Ex-secretários transformam atuação policial em capital político

Um ano depois dos confrontos, a atuação da cúpula da segurança pública ganhou ampla exposição e se tornou um ativo político. Felipe Curi foi o 2º mais votado na região dos complexos, com 1.763 votos. Ele recebeu votos em todas as quatro zonas pesquisadas, demonstrando apoio além das favelas, abrangendo bairros como Penha, Olaria e Bonsucesso.

O levantamento do g1, baseado em dados do TSE, analisou as zonas eleitorais 21, 161, 162 e 188. Curi recebeu 307 votos na zona 21, 215 na zona 161, 580 na zona 162 e 661 na zona 188. Essa soma representa cerca de 1,32% de sua votação total no estado. A distribuição mostra que seu nome teve força em toda a região influenciada pelo crime organizado.

Na zona 162, Curi foi o 2º colocado, perdendo apenas para Sóstenes Cavalcante (PL). Na zona 188, ficou em 3º lugar. Para o ex-secretário, a experiência na linha de frente da segurança pública validou sua candidatura, levando-o a defender mudanças na legislação penal para proteger os agentes.

Dados detalhados da votação na região do Alemão e da Penha

O ex-secretário de Polícia Militar, Coronel Menezes (PL), foi eleito deputado estadual com 46,7 mil votos no total. Nas quatro zonas pesquisadas, ele recebeu 15 votos na zona 21, 38 na zona 161, 38 na zona 162 e 56 na zona 188, totalizando 147 votos. Menezes integrou a cúpula que comandou a operação ao lado de Curi.

Já o delegado Bernardo Leal (PP), que ficou gravemente ferido e perdeu a perna direita durante a ação, foi eleito deputado estadual com 57.254 votos. Na região específica dos complexos, ele somou 116 votos: 22 na zona 21, 25 na zona 161, 21 na zona 162 e 48 na zona 188. Leal atribui sua vitória à exposição de sua atuação e à superação do ferimento.

Os três candidatos juntos receberam 2.026 votos nas zonas selecionadas. A metodologia do estudo é importante: as zonas eleitorais abrangem bairros inteiros, não apenas os complexos. Por isso, os números não identificam exclusivamente os moradores das favelas, mas indicam o peso da região no resultado estadual.

Repercussão e legado da Operação Contenção

A Megaoperação Contenção, a mais letal da história do Rio, teve forte impacto na cidade. Escolas fecharam, hospitais foram sobrecarregados e barricadas bloquearam a Zona Norte. O governo estadual defendeu a ação como essencial contra a expansão do Comando Vermelho, enquanto organizações de direitos humanos criticaram a letalidade.

Felipe Curi nega que a operação tenha tido objetivos eleitorais. "Ninguém faz uma operação dessas pensando em eleição. Ali nós perdemos policiais, pais de família que deram a vida e o sangue pelo Rio de Janeiro. População viu de verdade quem enfrentou o crime em vez de fugir dele contra tudo e contra todos. Foi uma realidade de guerra, sem uma legislação que desse o mínimo de garantia jurídica para os policiais, que hoje, inclusive estão respondendo", afirmou Curi.

O deputado eleito destacou que a confiança da população veio do resultado do trabalho. "Enfrentamos uma realidade de guerra com uma lei feita para combater o criminoso comum. Se isso gerou confiança da população, foi por causa do resultado do trabalho. Foi justamente ali que ficou claro pra mim. A polícia pode entrar, mas se não mudarmos a lei, o crime volta", analisou.

Um ano após os fatos, a eleição dessas figuras para o Legislativo marca a transição de agentes da segurança pública para o âmbito político, com a defesa de novas leis como principal bandeira.


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